FLCL: Crítica à cultura otaku
Inaugurando mais uma coluna no blog. Falarei aqui de animês, mangás e relacionados. Ou como diria a Mara, “qualquer outra bizarrice japonesa“. Pois bem, eu fiquei pensando no que escrever, já que a blogsfera animística falou de quase tudo, e me veio à mente um animê de onze anos atrás, chamado FLCL.
A história de FLCL (ou como é conhecido, Furi-Kuri) começa com Naota na beira de um rio, em um diálogo com Mamimi Samejima,ex-namorada de seu irmão. Quando, de súbito, ao voltar pra casa, uma mulher numa vespa o atropela (Esteja preparado para cenas de ação e totalmente malucas nesse animê). Naota observa que ganhou um galo na cabeça depois do acidente. O que o menino conclui? A culpada é a mulher-vespa. A alienígena declarada, Haruko (a mulher-vespa) se instala na casa de Naota como “empregada”
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| Tem até um rôbo fazendo os trabalhos domésticos? |
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| As cenas de luta são muito boas. |
Quem visitar o site da Gainax e ler os comentários da equipe responsável por FLCL vai encontrar mais de uma vez expressões como “animação para o novo milênio’ e “romper com as tradições da animação”.Por aí já dá pra notar que a ambição não era pouca com esta nova série: a Gainax pretendia criar um animê que fosse a cara do século XXI…antes mesmo dele começar[...] Se Evangelion começou com uma história quase típica de ficção científica/rôbos gigantes e terminou desmontando todas as convenções desse gênero,reinventando a narrativa nos animês, FLCL parece seguir o trajeto contrário. As coisas vagam sem rumo por três episódios, e só na segunda metade da série a verdadeira trama começa a se revelar[3]”
De uma forma simples: O Superflat é um movimento estético pós-moderno que surgiu dentro das artes plásticas e que encontrou eco nos mangás e nas animações – até porque seu pressuposto é de que a cultura dos animes e mangás é a cultura japonesa de nosso tempo. Ele se vale dos elementos de fetiche que caracterizam os animes e mangás dentro da cultura otaku para questionar o contexto social que deu origem aos mesmos fetiches. Ou melhor dizendo, ele reprocessa esses elementos para devolvê-los desconstruídos para aqueles que os consomem originalmente[...] O pós-modernismo é um movimento com várias correntes e sem uma proposta unificada, salvo na sua crítica ao modelo tradicional de racionalismo nas artes, na literatura e nas ciências.[4].
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| Arte de Takashi Murakami |
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| Parte do mangá de FLCL. |
Os otaku seriam a primeira geração de Homo Virtuens, seres gerados no fim dos anos 70 e início dos anos 80 no Japão, em pleno auge da prosperidade econômica, embalados pela asfixiante atmosfera de consumo, educação e informação em demasia. Refugiaram-se na fantasia, “superalimentados por imagens propostas pela mídia”. Uma descrição precisa existe no prefácio do livro: “Rebelde desertor, o otaku utiliza nosso mundo sem dele fazer parte.”. Vivendo em sua bolha pessoal, o otaku ignora as relações interpessoais, retarda sua entrada na vida adulta e no mercado de trabalho e se relaciona com fantasias do universo bidimensial, sejam as graciosas meninas de nanquim, seja a inatingível cantora pop pixelada na televisão.[...]. Fato que ele foi cunhado em 1983 pelo ensaísta Nakamori Akio. [...]Remete tanto ao termo habitação (isolamento) quanto a um tratamento impessoal de distanciamento dos japoneses (falta de conectividade social). Hoje o termo é aceito publicamente no Japão para definir qualquer pessoa que tenha uma mania qualquer, usualmente associado com coleções. Alguém que colecione selos compulsivamente é um otaku. Mas geralmente quem faz isso são aqueles que conhecemos como otaku. Colecionam milhares de mangás, animes gravados em formatos de mídia diversos, artigos colecionáveis dos seus personagens favoritos, jogos etc.[5].
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| Parte do mangá de FLCL |
- ANIMENEWSNETWORK. FLCL
- Wikipédia. FLCL
- AnimeDo2000.N°10. FLCL
- Maximum Cosmo.Superflat: A Reação do Pós-Modernismo Japonês ao “Boom” Otaku
- Blog Otakismo: Homo Virtuens, o surgimento do fenômeno otaku
- Sobre FLCL : Animê (AQUI .Ou no formato avi, pelo Torrent AQUI,as legendas em PT/BR









Desconhecia isto e adorei a postagem, bem interessante. Obrigado!
Confesso que FLCL foi um dos animes que mais me agradou até hoje. Ele trabalha com o fator da improbabilidade que poucos conseguem hoje em dia. É bem aquela questão do "nonsense" mesmo. Querendo ou não, nosso cérebro tende a querer adivinhar o que acontece a seguir, como eu li em um blog, e isso acontece por puro instinto, quando as cenas que se seguem condizem com o que imaginamos, logo pensamos "clichê". E é isso mesmo que não acontece em FLCL, nossa cabeça é posta a prova e somos espectadores de algo bizarro que ao mesmo tempo agrada. Além disso, a parte sonora composta interiamente pela bando japonesa The Pillows é uma das mais interessantes que eu já vi num anime desde Cowboy Bebop.No mais o texto está muito bom e que é um anime atemporal, independente de quando e quanto assista o espectador sempre vai se divertir, sempre verá algo novo.
@O Intruso: tem alguns bizarros que nao dizem nada, mas, há os que por baixo do roteiro maluco,contém uma mensagem meio que subliminar. Não são todos os que notam isso. Mas,alguns tem.
gosto de animes brizantes assim
gostei \o