Que a indústria de games fatura mais que o cinema, hoje em dia, não é nenhum segredo. Quem está acostumado a essa onda de videogame desde seus primórdios sabe que foi uma ascensão relativamente rápida, porém difícil. Vários jogos começaram lá em baixo, sofriam até preconceitos pesados, hoje, esses mesmos jogos são tratados como clássicos e aclamados pelos mais velhos. Enquanto os mais novos, em sua maioria buscam gráficos acima de qualquer jogabilidade.
Mas deixando essa história “mercadológica” de lado, gostaria de fazer uma pergunta a você, que talvez ache que um simples jogo seja algo trivial. Sabia que alguns jogos são considerados como obras de arte? É claro que existe uma imensa discussão sobre o assunto. Afinal um simples divertimento, passa-tempo, deve mesmo ser considerado arte? Levando em conta que teatro, literatura, pintura e música são encarados como entretenimento, acho justo encaixar os jogos nisso de arte.
Um dos jogos mais falados nesse sentido artístico, no seu lançamento, foi o aclamado Shadow of the Colossus, originalmente lançado para Play Station 2, lá em 2006, sendo que no Japão foi lançado no final de 2005. Produzido pela própria Sony Enterteinment, seria uma sequêcia de ICO. O roteiro do jogo revela muitas coisas interessantes dentro deste mesmo universo, coisas essas que não quero estragar contando a você, leitor.
A história é um tanto simples, um cara que quer salvar sua amada, descobre que precisa derrotar dezesseis gigantes, conhecidos no jogo como colossus, para que ele consiga seu objetivo. A questão é que a tarefa não é tão fácil assim, levando em conta o tamanho gigantesco do mapa do jogo. Para a época, era um mapa muito grande, que exigia muita paciência do jogador para ir a pé. Por isso mesmo que herói podia contar com a ajuda de Agro, o seu cavalo de estimação.
Quando o jogo foi lançado, as reclamações sobre o tamanho do cavalo eram imensas. Concordo que o bicho é um tanto desproporcional para um cavalo comum, mas de maneira nenhuma isso prejudica a beleza do jogo.
A ideia, como já mencionei, é derrotar dezesseis gigantes, que são as únicas criaturas que parecem existir no mundo todo, é como se o herói estivesse sozinho e essa sensação de solidão e silêncio está presente em grande parte do jogo. Enquanto navega pelo mapa, admirando a imensidão do céu e a grama verde, em alguns pontos, você se sente quase que assistindo a um filme, já que os menus ficam ocultos na tela, deixando visível apenas o protagonista e seu cavalo. Em alguns pontos do mapa existem pequenos templos para que se possa salvar o jogo. E existem algumas árvores onde você pega os frutos que dão nelas para conseguir mais “vida”, e quando encontrar um lagarto, não tenha dó, se matá-lo e comer seu rabo prateado, conseguirá mais força para se manter agarrado ao gigantesco colosso enquanto ele se debate.
Quando eu digo gigantesco, eu não estou brincando, quem conhece o jogo sabe, muito bem, que são criaturas enormes. Quem não conhece deve saber que o desafio do jogo, além de simplesmente derrotar os dezesseis chefes, é saber como fazer isso. Cada um deve ser escalado, isso mesmo, você precisa escalar o bicho, de uma maneira específica, conforme seu corpo é. Alguns são tão imensos que é preciso parar, em algum lugar da sua cintura, para recuperar as forças, que se mede a partir de um círculo rosa no canto da tela, e se esgota conforme é usado.

A cada novo chefe a dificuldade aumenta e você é obrigado a se adaptar à estratégia necessária para derrotá-lo.
As batalhas são épicas. Todas elas. Emocionantes o suficiente para que cada jogador eleja seu chefe preferido no jogo. A parte sonora ajuda a deixar os embates cada vez mais interessantes, com músicas orquestradas lindas, daquelas que mexem com os sentimentos da pessoa.
A julgar pelas imagens, ignorando a questão gráfica, porque devemos levar em consideração que é um jogo de 2005, é um jogo lindo. Os chefes são muito bem desenhados e não parece haver falhas graves, graficamente falando. A história não é lá grande coisa, mas é o suficiente para manter você jogando.
Até que derrote o último chefe, sem usar detonados nem nenhuma ajuda, creio que termine o jogo em umas 9 ou 10 horas. O que é um tempo bem razoável, considerando as capacidades do console. Após a primeira vez, você pode brincar de “quem mata os 16 mais rápido”, seu tempo é gravado e, assim, com a força e a “vida” no máximo, na mesma quantia que terminou o jogo, é possível começar um novo.
É, sem dúvidas, um dos jogos mais belos de Play Station 2 e, na minha humilde opinião, um dos melhores, senão o melhor do console. Vale muito a pena conferir, por mais que você não seja um jogador “experiente”, pois o jogo é bem fácil e gostoso para passar um fim de semana. Se você ainda não jogou e é fã de games, por mais paradoxal que isso soe, é uma indicação. Se já jogou, jogue mais uma vez.
Abaixo deixo um vídeo do jogo, o trailer oficial, só para dar saudade, ou dar água na boca para querer jogar. Uma versão em HD foi remasterizada para o Play Station 3, juntamente com ICO, e o sucessor The Last Guradian, que nada mais é que o capítulo final da trilogia deles. Jogos esses que pretendo postar um dia desses por aqui.




Esta na minha lista de jogos favoritos, simplesmente curti muito este jogo. x)
[...] pela Sony, as coisas não são tão simples assim, apesar de ser um jogo com menos ação que o já apresentado Shadow of the Colossus (que é sucessor de ICO), é um jogo cativante, que, com seu visual particularmente lindo e [...]
Jogo excelente esse… Zerei várias vezes, muito épico ^^ E a trilha emociona bastante. De fato os games tem apresentado histórias mais interessantes que os filmes atualmente. Eu também joguei o ICO, que é ótimo.
Saudações! Suzi, querida… nunca sei como lhe encontrar, rsrsrs… esses games de rpg não me agradam muito, mas acho bacana, prefiro de corrida, luta, tiro e esportes… bom, não precisa ter micro-ondas pra fazer aquela receitinha não, viu? Beijos e abraços
Olá, obrigado pelo comentário.
Só preciso reafirmar uma coisinha aqui. Este jogo, o Shadow of the Colossus, não é um RPG, como você citou. Ele se encaixa na seção da locadora dos adventures, porque nele, você não precisa derrotar monstros mais fracos para evoluir, não tem tabelas cheias de números e você não precisa comprar equipamentos.
De qualquer maneira, entendo seu gosto pessoal por corridas, esportes, lutas, etc. São jogos mais dinâmicos, onde não é necessário apertar freneticamente o botão para passar as falas.
Acrescentando: pela trilha sonora que me passou, a coisa foi mesmo bem construída. ^^
Já joguei Shadow of Colossus como qualquer gamer. Dizer que é uma obra de arte não é novidade. Existem tantos outros que mereçam esse rótulo e outros que sinceramente eu não vejo nada atraente (vide GTA). Red Dead Redemption é um dos meus jogos favoritos para PS3 que talvez possa ter essa comparação, assim como Batman Arkham City.
Olá, Tatsu, agradeço seu comentário!
Vamos lá, eu sei que Shadow ser chamado de arte não é novidade, mas ainda tem gente, não gamer, que desconhece essas excelentes obras. Eu sei que existem inúmeros jogos que mereçam esse “rótulo”, mas não consigo eleger um jogo de PLay Station 3, por exemplo, como arte, não ainda.
O motivo é bem simples, bem como o vinho, é preciso envelhecer para que fique bom, portanto, na sua época de lançamento, Super Mario Bros. não era grande coisa, hoje é considerado um clássico absoluto. Da mesma maneira com jogos de Play Station 3, ainda é muito cedo para elegermos eles como obras de arte, já que estão há pouco no mercado.
Shadow of the Colossus se consolidou como obra de arte devido a vários fatores, afinal, um bom jogo não é apenas gráfico, a isso deve se somar sonoridade, trilha e a capacidade gráfica do console, convenhamos que o poqueno Play Station 2 deu seu máximo enquanto rodava o jogo em questão, isso tudo somado a um bom roteiro, por mais simples que seja.
Mas isso tudo é apenas a minha opinião. E você, o que acha?
Primeiro, eu gostei muito do post, Wyll. Ficou bem didático.
Outra…”game arte”. Bem, o conceito de arte, pra mim, se emprega para: literatura, HQs, desenhos.. De alguma forma, se enquadra para as diversas linguagens midiáticas (animação também pode entrar nesse esquema).Mas, games… Vejamos, se você estiver falando de arte como a estética de um jogo, tá, aí se encaixa. Porque a parte visual de um jogo como esse é notável. Como você observou, só existe o herói e sua amada. O resto é um imensidão de grama,montanhas, velhas construções e monstros.
Opa! Comentário na rapidez do Sonic.
Bem Suzi, só complementando aqui, música se encaixa na categoria arte, que é bem abrangente, diga-se de passagem. O jogo em questão agrega a parte visual e a parte sonora. Convenhamos que as músicas, só pelo trailer, são de cair o queixo, é um trabalho excepcional.
Outro ponto, você citou os monstros, mas eles não são apenas monstros. Se der uma procurada no Youtube e ver como se derrota cada um desses monstros, você verá que o cenário e o próprio design de cada um é simplesmente impressionante, levando em conta que eles mal cabem na tela da TV enquanto você joga.
No mais, obrigado pelo primeiro comentário. Semana que vem eu posto mais Game Arte.